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Era um retiro de professores e famílias do seminário em que eu dava aula. Um dos professores, que tinha sido meu pastor em toda minha infância e boa parte da adolescência, me viu com minha filha e meu filho mais velhos,

que estavam com 4 e 2 anos na época, e me disse, ‘você está vivendo os melhores dias de sua vida e não está sabendo’. Levei um susto. Fez-me pensar, será possível?

Eu estava próximo de completar meus primeiros dez anos de ministério pastoral e docente, e com perspectiva de crescimento ministerial, profissional e familiar; ainda com trinta e poucos anos, estava engajado, tinha planos e projetos pessoais, familiares e profissionais, mesmo assim parecia estar vivendo intensamente aquele momento. Mas alguém me diz que eu não sabia que aqueles eram os melhores dias da minha vida.

É muito comum sentirmos que nossos melhores dias estão ainda por vir. Nessa busca desenfreada por sucesso, ascensão social e econômica, e realização de nossos sonhos nos fazem postergar nossa satisfação e alegria no aguardo de dias melhores. ‘Quando eu conseguir aquela tão desejada promoção, quando eu conseguir aquele emprego que sempre sonhei, quando tiver dinheiro suficiente, quando..., quando..., então estarei contente, vou poder gastar mais tempo com a família, fazer o que eu gosto.

Por mais que isso nos mantenha motivados e focados, é um jeito também de sabotarmos a nós mesmos e a nossos filhos. A nossa cultura valoriza o sacrifício pessoal. Queremos oferecer o melhor para meu filho, mas para isso preciso sacrificar a mim, a minha família e, muitas vezes, a minha saúde.

Além de achar que nossos melhores dias estão por vir quando finalmente vou conseguir gastar tempo com a família, vamos descobrir que talvez os nossos melhores dias ficaram para trás. O filho já cresceu, já prefere a companhia dos amigos à dos pais, ou foi-se estudar ou trabalhar fora, casou-se, ou mais tragicamente, perdeu-se nas drogas, perdeu a vida precocemente, enfim, desligou-se do convívio familiar. Acabamos aceitando isso como parte do ciclo da vida.

De um modo ou de outro, deixamos de desfrutar o momento atual com os filhos achando que nossos melhores dias ficaram no passado ou ainda estão por vir. Você pode estar naquela fase de filhos pequenos que exigem cuidado constante dos pais, ou na fase dos filhos na rotina escolar, ou dos filhos saindo de casa para estudar, trabalhar, se casar, ou você já tenha perdido um filho por morte, abandono ou vício, seja como for você está vivendo os melhores dias da sua vida.

Realmente passamos por diversas fases no ciclo familiar. Alguns momentos nos deixam saudades. Mas é preciso saber viver o momento e a fase em que estamos como os melhores dias da nossa vida como pai.

William (Billy) Lane - pastor presbiteriano, doutor em Antigo Testamento e diretor acadêmico da Faculdade Teológica Sul-Americana.