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Estamos iniciando mais um ano letivo e junto a ele as novas promessas e expectativas surgem. Prazos, cobranças, atividades que devemos realizar e deveres para serem cumpridos recheiam nossas agendas.

É tempo de alegria entre os que estão engajados na missão de preparar vidas para servir o Reino de Deus, tempo de refletirmos sobre um trecho da carta mais alegre escrita pelo apóstolo Paulo, a carta de Filipenses capítulo 1 dos versos 1 a 5, onde o texto nos diz o seguinte:

Paulo e Timóteo, servos de Cristo Jesus, a todos os santos em Cristo Jesus que estão em Filipos, juntamente com os bispos e diáconos: A vocês, graça e paz da parte de Deus nosso Pai e do Senhor Jesus Cristo. Agradeço a meu Deus toda vez que me lembro de vocês. Em todas as minhas orações em favor de vocês, sempre oro com alegria por causa da colaboração que vocês têm dado ao evangelho, desde o primeiro dia até agora. (Fp.1:1-5)

Paulo começa a sua carta mais alegre com uma oração, uma oração de ação de graças pela vida dos irmãos e irmãs. Inspirados nessa alegria que Paulo sentia ao saber que os seguidores de Jesus em Filipos colaboravam com a propagação do evangelho, que as escrituras nos inspiram a refletir sobre: Alianças colaborativas.

Ressaltamos que o ambiente acadêmico pode sim ser simples, alegre e humanizado, tudo depende em quem queremos nos espelhar ou qual o modelo escolheremos seguir.

Alianças colaborativas é uma expressão utilizada pela Dra. Rosana Pinheiro Machado em um de seus artigos intitulado: Precisamos falar sobre a vaidade na vida acadêmica. Machado, que é cientista social, antropóloga e professora universitária com vasta experiência na docência internacional, afirmou, dentre tantas outras coisas que, a maioria dos ambientes acadêmicos são uma máquina trituradora de pressões múltiplas, não obstante, a vida acadêmica pode ser simples, e aqui acrescentaríamos alegre, mas isso só acontece quando construímos alianças colaborativas. Interessante que, se voltarmos nossos olhos para o texto de Filipenses capitulo 1, Paulo fala no verso 5 sobre colaboração, cujo substantivo preposicionado no grego é sunergon, que em seu sentido literal significa: “companheiro de trabalho” ou “com o trabalho de”.

Parece ser que, tanto Machado quanto o apóstolo Paulo falam da importância das alianças colaborativas. Mas a pergunta que nos inquieta é: como essas alianças colaborativas são construídas? As escrituras apresentam várias características dessas alianças colaborativas e a continuação, elencaremos 2 delas.

A primeira é a disponibilidade: alianças colaborativas são construídas com disponibilidade.Um dos mais belos exemplos de disponibilidade encontrados na escritura é o exemplo de Maria. No evangelho de Lucas capítulo 1 verso 8 diz Maria: aqui está a serva do Senhor, que se cumpra em mim conforme a tua palavra. E o anjo do Senhor se ausentou dela (Lc. 1:38).

Em uma sociedade tão egoísta, tão interesseira e egocêntrica, a atitude de Maria fala muito alto conosco. Um dos mais belos gestos dessa mulher é a sua disponibilidade, quando ela recebe a visita do anjo dizendo que tinha sido escolhida como instrumento de Deus para que, em seu ventre, o Espírito Santo operasse o milagre da encarnação do Verbo Jesus, sua reação foi a mais nobre e espontânea possível: a disponibilidade. Maria colabora com Deus prontamente se colocando à disposição do Mestre. Quantos de nós estamos decididos a nos disponibilizarmos a serviço do nosso próximo? Estamos prontos a colaborar com nossos talentos, nosso tempo, nossos recursos, nossos bens, nosso dinheiro, nosso conforto, nossas habilidades?

Em tempos de relações líquidas, onde as pessoas são frias, egoístas e indiferentes, Maria faz um convite para nos aliançarmos com Deus disponibilizando nossos corpos como instrumentos de serviço. Maria deixou que o Espirito Santo a possuísse, ela disponibilizou seu corpo para glorificar a Deus e através do seu exemplo somos desafiados a colocar nossa vida a disposição Dele e do próximo sempre.

A segunda característica que gostaríamos de elencar na construção dessas alianças colaborativas é a humanidade: alianças colaborativas são construídas com humanidade.
Quando o assunto é humanidade, não há como citar outro exemplo que não seja o exemplo do próprio Cristo, no capítulo 2 da carta de Paulo aos Filipenses, o verso 7 fala que Jesus se tornou humano, que ele deixou de lado a divindade e assumiu a condição de escravo se tornando humano: Na NVI o texto diz o seguinte: Antes, a si mesmo se esvaziou, e assumindo a forma de servo, tornando-se em semelhança de homens e reconhecido em figura humana (Fp. 2:7).

Jesus estabeleceu seu Reino sobre a terra ao se fazer humano, ao se mostrar humano e sobre isso, o pastor e teólogo colombiano Harold Segura diz em seu livro: Para que serve a espiritualidade? afirma que: Assim, para nós, Cristo e reino também são inseparáveis, visto que Jesus “é nada menos que o reino de Deus em pessoa (p.14).

Teresa de Ávila, doutora da igreja, fala sobre a centralidade da humanidade de Cristo. Para Teresa, na verdade, a vida cristã é uma relação pessoal com Jesus que culmina na união com Ele pela graça, por imitação e por amor ao próximo. Santa Teresa escreve em sua obra As Moradas ou o Castelo Interior que, de sua doutrina espiritual, um dos principais pilares é a Humanidade de Cristo, por quem nos chegam todas as graças e Sua divina presença nas almas. Por isso, afirma Santa Teresa: Que grave engano afastar-se propositalmente de todo nosso bem e remédio, que é a Sacratíssima Humanidade de Nosso Senhor Jesus Cristo” (Sextas Moradas, 7, 6).

A Sacratíssima Humanidade de Jesus se aproximou de nós: a) quando Ele teve sede. No evangelho de João capítulo 19 verso 28 encontramos essas palavras saindo da sua boa: tenho sede, em outra tradução encontramos a afirmação: estou com sede; b) quando Ele teve fome: o evangelista Marcos no capítulo 11 verso 12, no texto da figueira amaldiçoada escreve: no dia seguinte, quando saíram de Betânia, teve fome; ele sentiu fome; c) quando Ele sentiu cansaço: no evangelho de João capitulo 4 verso 6, Jesus aparece cansado da viagem e se assenta à beira do poço; d) quando Ele chorou: é o que nos conta o texto sobre a morte de Lázaro no evangelho de Joao no capítulo 11. Versículo 35.

A Sacratíssima Humanidade de Jesus se aproximou de nós até quando o Mestre provou da tristeza, no evangelho de Mateus capitulo 26 versículo 38 encontramos Jesus dizendo no Getsemani: a minha alma está profundamente triste. A bíblia A Mensagem relata que Jesus mergulhou numa tristeza agonizante e declarou: a tristeza que eu sinto é uma tristeza de morte.

Jesus teve sede, teve fome, cansaço, chorou, se entristeceu e, mesmo sendo Divino, se fez humano e foi chamado de o Filho do Homem para que pudéssemos compreender sobre o Seu Reino. A Nova Aliança que Ele fez com a humanidade foi uma aliança de amor eterno, de total e absoluto esvaziamento. Ao lermos o verso 7 de Filipenses 2 observamos que Jesus deixa de lado os privilégios que eram dele por direito.

Ele foi tentado a ser autossuficiente, foi tentado a ser orgulhoso, a usar de seus poderes em interesse próprio mas não o fez, do contrário, ainda que pudesse se apegar à sua alta posição de igualdade com Deus, sendo superior sobre toda a humanidade, Ele não o fez, Jesus literalmente se despiu, se esvaziou de toda e qualquer vaidade. A aliança colaborativa construída sem humanidade, onde a glória dos privilégios, da posição, do status e da vaidade intelectual prevalecem é um prato cheio para alimentar a máquina trituradora de pressões múltiplas, e aqui cabem as seguintes perguntas:

Em que medida nós mesmos não estamos perpetuando esse modus operandi? Em que medida não estamos gerando ambientes acadêmicos conflitivos? Em que medida não permitimos que o serviço ao Reino de Deus seja propagado?

Talvez pudéssemos começar esse exercício autoreflexivo nos perguntando: estamos dividindo nossos colegas entre os “fracos” (ou os medíocres) e os “fodas” (o cara é bom) e nos aliançando colaborativamente apenas com esse último?

Por fim, ressaltamos que o ambiente acadêmico pode sim ser simples, alegre e humanizado, tudo depende em quem queremos nos espelhar ou qual o modelo escolheremos seguir. A chegada desse novo ano nos desafia a assumir uma caminhada educativa com disponibilidade e humanidade, fazendo a diferença em nossas práticas pedagógicas, empenhando esforços na construção de alianças colaborativas!

Que o Bom Deus continue sendo nosso guia, nos indicando o caminho, nos amparando em meio as dificuldades, nos mostrando o rumo certo diante das incertezas, fortalecendo nossas conquistas, nos abençoando com alegria, disponibilidade e humanidade. Desejamos a todos um ótimo ano letivo!

Vanessa Carvalho de Mello: teóloga, mestre em Psicologia Social, docente e responsável pelo Núcleo de Apoio ao Discente FTSA.