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O movimento de Jesus estava avançando para além das divisas de Jerusalém e se espalha até a Fenícia, Chipre e Antioquia da Síria. A liderança da igreja em Jerusalém decidiu enviar Barnabé e Paulo até Antioquia para darem suporte ao número de convertidos, o que Lucas disse: “e muita gente se uniu ao Senhor” (At 11:24).

Barnabé e Paulo ficaram em Antioquia por um ano com a finalidade de “ensinar” estes que se uniram ao Senhor. E foi ali, em Antioquia, longe de Jerusalém, que uma poderosa afirmação veio da caneta de Lucas: “Em Antioquia, foram os discípulos, pela primeira vez, chamados cristãos” (At 11:26).

 

Que evento histórico esse! Agora aqueles que se uniram ao Senhor passaram a receber um apelido: Christianos, no grego (Ξριστιανος), ou seja, cristão, seguidor de Cristo. E ser um Christianos é imitar a Cristo e andar como Ele andou. E mal foram apelidados de Christianos, um teste gigantesco já estava diante desses que poderiam de fato revelar se eram mesmos Christianos e se agiriam de acordo com Cristo. Era o teste da solidariedade com o próximo. Era o teste de por em prática o que disse Jesus: “amar o próximo como a si mesmo”.

Logo após Lucas dizer que “em Antioquia, foram os discípulos, pela primeira vez, chamados cristãos” (At 11:26), os versículos seguintes (At 11-27-30) afirmam isso:

Naqueles dias, desceram alguns profetas de Jerusalém para Antioquia, e, apresentando-se um deles, chamado Ágabo, dava a entender, pelo Espírito, que estava para vir grande fome por todo o mundo, a qual sobreveio nos dias de Cláudio. Os discípulos, cada um conforme as suas posses, resolveram enviar socorro aos irmãos que moravam na Judéia; o que eles, com efeito, fizeram, enviando-o aos presbíteros por intermédio de Barnabé e de Saulo.

Quem era Ágabo?
Era um profeta que fazia parte de um grupo de profetas que veio de Jerusalém à Antioquia. Ele “deu a entender”, pelo Espírito” que uma severa crise econômica estava chegando durante o reinado do imperador romano Cláudio, isso por volta do ano 45 d.C. Essa crise econômica iria fazer com o que o povo não tivesse dinheiro para comprar comida, resultando nas palavras de Lucas, “que estava para vir grande fome por todo o mundo”. E isso ocorreu quando Cláudio governava Roma. Tratava-se de Tibério Cláudio César Augusto Germânico. Calígula é assinado e Cláudio assume o trono. Esse mesmo Ágabo revelou a Paulo em 58d.C., na cidade de Cesaréia, que ele seria preso.

Eis a situação: Ágabo prediz uma grande fome por todo o mundo e esta situação chegou de fato durante o reinado de Cláudio. E agora, o que farão estes que em Antioquia foram pela primeira vez, chamados cristãos? Vão honrar o apelido recebido? Lucas registra em sua narrativa histórica dizendo:

Os discípulos, cada um conforme as suas posses, resolveram enviar socorro aos irmãos que moravam na Judéia; o que eles, com efeito, fizeram, enviando-o aos presbíteros por intermédio de Barnabé e de Saulo.

Vejo algumas ações impressionantes destes que estavam enfrentando o primeiro e mais duro desafio diante deste apelido dado como Christianos:

1. Esses Christianos revelam, de fato, que são seguidores de Cristo

Lucas diz que “os discípulos” (mathetes) resolveram. Esses “seguidores” são seguidores de Cristo. E agora, além de seguidores, foram reconhecidos e identificados como Christianos. A crise viria para todos, quer fossem Christianos ou não. Eles também seriam atingidos pela crise econômica que poderia colocá-los em situação de fome e dificuldades. Mas, corajosamente e honrando o nome de Cristo que professavam, eles resolveram ajudar.

2. Esses Christianos, cada um, ajudam conforme as suas posses

Parece ter sido uma ação voluntária consciente de “cada um”. Aqui não foi “cada um por si e Deus por todos!” Foi um “cada um” solidário a partir das posses de cada um. Não houve estipulação de valor algum. O valor foi “conforme as suas posses”. Conforme as posses de cada um. Quem podia dar mais, dava. Não sei se podemos aqui ter 100% de certeza de que 100% dos discípulos contribuíram. Me parece que sim, que cada um participou do modo como podiam.

3. Esses Christianos resolveram socorrer aos irmãos que moravam na Judéia

E que resolução! A resolução foi: nós não permitiremos e nem deixaremos nossos irmãos passarem fome. Pode haver um ato solidário mais solidário do que esse? A fome é a situação mais ecumênica que existe no mundo. Estes Christianos certamente ouviram os relatos de Barnabé e Paulo sobre como Jesus alimentou as pessoas e as multidões. Que Jesus realizou milagres na esfera da fome humana.

E eis aqui um fator muito importante para ser observado em relação aos milagres. Deus é totalmente poderoso para realizar milagres sem que haja qualquer participação ou mediação humana. Mas, se você estudar criteriosamente os milagres no Novo Testamento, vai chegar à conclusão de que na maioria das vezes existe uma disponibilidade humana! Deus realiza milagres, e por incrível que possa parecer, nos usa para isso, usa nossa disponibilidade. Esses Christianos resolveram socorrer. Alguém precisa resolver ser solidário e é impressionante o que Deus faz por meio dessa resolução de participar por meio das nossas ações solidárias.

4. Esses Christianos agiram contra a fome

Lucas diz: “o que eles, com efeito, fizeram, enviando-o aos presbíteros por intermédio de Barnabé e de Saulo”.

O que me impressiona nesses Christianos é que eles abriram mão de seus preciosos líderes como Barnabé e Paulo e os enviaram com bolsas de dinheiro para socorrer aos irmãos que moravam na Judéia. É a igreja filha socorrendo a igreja mãe. Eles estavam tão longe de Jerusalém, mesmo assim agiram compassivamente. Diminuíram a distância geográfica com um ato de amor absurdamente generoso, porque resolveram não permitir que seus irmãos passassem fome.

O duro teste veio e foram aprovados! Cristão que é Christianos é solidário, é Cristo para os outros!

Nós estamos diante da profecia que nos dizia que o Coronavírus chegaria ao Brasil e outras partes do mundo. Chegou! E não temos noção exata de todas as consequências ainda. Estamos também diante de um teste: agiremos ou não como Christianos? A resposta a essa pergunta depende daquilo que dependeu nos cristãos em Antioquia. Depende do que? De “cada um”! Isso mesmo, “cada um” que é um Christiano tem a grande oportunidade não de provar, mas de agir como Cristo agiu, de andar como Ele andou, de ser compassivo e misericordioso com Ele foi.

Este é o tempo, o tempo de resolver socorrer, como fizeram estes Christianos em Antioquia. O momento não é esperar por milagres, mas cada um se disponibilizar para que os milagres de Deus aconteçam. Faça parte disso! Vamos agir e que no futuro a história registre nos livros o seguinte:

Houve uma pandemia do Coronavirus no mundo; mas houve Christianos que foram generosos e compassivos e muitos foram por eles socorridos onde cada um resolveu ajudar. E houve um verdadeiro milagre em prol da vida e da humanidade!

Que se levantem os Christianos!
Paz!

Jorge Henrique Barro - É doutor em Teologia pelo Fuller Theological Seminary. Co-fundador e professor da Faculdade Teológica Sul Americana de Londrina.