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Já está disponível a Edição Nº 4 da Práxis Missional, uma publicação editorial da Faculdade Teológica Sul Americana. Para ler artigos ou baixar a versão em PDF acesse o site ofical www.praxismissional.com.br

 

EDITORIAL

Pastoral para uma sociedade do cansaço é o tema escolhido para este quarto número da Práxis Missional, inspirado na obra de Byung-Chul Han, filósofo germano-coreano que tem sido amplamente publicado no Brasil nos últimos dois anos, especialmente pela editora Vozes, que já lançou 8 títulos até a presente data. O número de títulos já publicados por Han, originalmente em alemão, chega a dezesseis. Sua obra é marcada por uma preocupação com a condição humana vivida em sociedades do “capitalismo tardio” – às vezes também chamadas de pós-modernas – que passam por transformações rápidas, normalmente guiadas pela tecnologia, pelo consumo massificado de informações, pela rapidez na comunicação e pela hiperatividade ou “violência do desempenho”, etc. Essa preocupação, por sua vez, rendeu análises sobre temas como burnout, depressão, cansaço, positividade, transparência, estética, entretenimento, sociedade digital, tempo, poder, violência, amor, entre outros.

As análises de Han são curtas e diretas, reunidas no formato ensaístico em opúsculos que tipificam o pós-moderno – que volta e meia aparece em suas análises, embora sem grande preocupação de definição. O título de “filósofo do momento”, como o LA Book Review sugeriu, lhe cairia bem não somente pelo crescente número de leitores contemporâneos – especialistas ou não – interessados no que ele tem a dizer sobre nossa atual condição, mas porque sua escrita tipifica, reflete sobre e, ao mesmo tempo, antagoniza com o momento ou a época em que se inserem. São escritos, por assim dizer, “contemporâneos” também no sentido que Giorgio Agamben (2009, p. 59) deu para a palavra, pois mantêm uma “singular relação com seu tempo”, aderindo a ele através de uma dissociação ou de um anacronismo. Contribuem mais agudamente quando diferem. Ora, não é esse justamente o desafio de uma igreja e de uma teologia contemporâneas?

Mas, como anteriormente dito, este é um número inspirado na obra de Han, que procura discutir alguns dos temas por ele propostos, sem a pretensão de explicar-lhes a profundidade ou sentido filosóficos. Reflete com Han muito mais do que sobre ele e sua obra. Assim, nos sentimos livres para captar um de seus temas mais caros, que é a ideia de “cansaço” ou esgotamento, manifestações do que ele chama de “violência neuronal” ou psíquica – um tipo de violência que está em marcha, mas é praticamente invisível ou mesmo reconhecido como violência – associada com a violência da positividade e do desempenho nas sociedades de hoje. Tentamos, seguindo essa trilha, imaginar caminhos ou pistas de apoio e cuidado pastoral para pessoas vivendo nesse tipo de sociedade. Como a obra de Han nos ajuda a pensar e desenvolver uma pastoral para pessoas exaustas, cansadas e sobrecarregadas no mundo de hoje?

Essa, provavelmente, seja uma pergunta de fundo que move as reflexões de cada contribuição presente neste número, que aborda os temas da sociedade digital (artigo de João Ohara), da mordomia do tempo (artigo de Jonathan Menezes), da violência do desempenho (artigo de André Borges), da necessidade da narratividade (artigo de Cezar Flora) e, finalmente, da sociedade do cansaço (artigo de Ênio Caldeira Pinto). A tônica deste número varia de análises e diálogos com Han e outros autores até reflexões sobre caminhos ou desafios pastorais e missionais que essas conversam evocam. Han não é, ao menos em nosso ponto de vista, um autor estranho ao mundo da teologia e da igreja. E não somente sua formação em teologia diz isso, mas sua tentativa de se compreender e responder filosoficamente ao espírito de nossa época. Só por esse motivo já vale a pena ler e pensar com ele.

Boa leitura!

O editorJonathan Menezes é Doutor em História pela UNESP/Assis, Professor da Faculdade Teológica Sul Americana e Editor-chefe da Práxis Missional.