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Gosto muito das histórias do Antigo Testamento, dentre elas, uma das minhas preferidas e sei que de muitos, é a de José. O sofrimento que aquele rapaz passou.

O tempo que passou preso, sendo vendido, maltradada, injuriado e tantas outras coisas me faz sempre lembrar que a vida pode ser bastante complicada às vezes.

Quando vamos para o texto de Gênesis 41, lemos sobre José. Sei que José é herói para muitos e que o sofrimento dele ao mesmo tempo a providência de Deus é maravilhosa - e realmente é! Porém, para sermos muito honestos, temos que enxergar em José um grande mal de "guardar tudo para si". Sim, ele o fez e simplesmente ignorou que esse guardar poderia um dia ser penoso demais para carregar.

Duvido que ela tenha tido condições na época de fazer diferente e não há aqui qualquer recriminação sobre ele, mas entendo que tudo o que estes personagens passaram ao longo de suas vidas nos servem de exemplo, para que aprendamos com seus erros também.

Ele teve dois filhos no Egito, com sua esposa Azenate: Manassés e Efraim. O significado do nome destas duass crianças relata diretamente o estado interno da alma de José: "José deu ao primeiro o nome de Manassés (Esquecer)". O sentimento de José era esse: ele queria esquecer o mal que lhe causaram e isso não é possível, por mais que desejarmos fazer isso porque teimamos em "guardar para nós" e isso só faz com que nossa alma fique seca.

Veja o comentário dele: “Deus me fez esquecer todo o meu sofrimento e a casa dos meus pais”. Será que esqueceu mesmo? Claro que não! Ele apenas guardou para si mesmo. Vemso isso quando ele encontra seus irmãos. Depois, quando teve outro filho, Efraim (Prosperidade em Dobro), dizendo: “Deus me fez prosperar na terra da minha tristeza”. Mesmo quando ele prospera, a sua principal lembrança é a "tristeza" - "na terra da minha tristeza". Ele estava com os diques cheios de amargura, de tristeza, de ressentimento. Racionalmente ele sabia que Deus o havia levado até ali, mas internamente, no seu inconsciente, ele só sentia dor, tristeza e morte; havia ressentimento no seu coração, um ressentimento real e causado realmente pela dor que lhe fizeram.

Nossas angústias e problemas são reais também. Muitas vezes temos razão para nos tornarmos tristes, cabisbaixos, ressentidos. Quantas vezes o reconhecimento não vem daqueles que amamos e isso nos magoa? Quantas vezes somos injustiçados e julgados?

Não podemos escolher se problemas podem ou não aparecer diante de nós, mas sim, podemos escolher como queremos lidar com estas coisas. Mesmo que internamente, nosso inconsciente teime em ser uma criança e doa muito o que precisamos fazer, ainda assim, como adultos, podemos olhar para os problemas com outros olhos.

É certo que precisamos de ajuda, algumas vezes um milagre e outras vezes um "ouvido" para nos escutar, mas sempre que buscarmos, teremos recursos a nossa volta.

É preciso lembrar de Davi no Salmo 32: "Quando guardei tudo para mim, meus ossos se transformaram em pó, minhas palavras eram gemidos intermináveis. A pressão nunca cessava, a ponto de todo o líquido do meu corpo secar".

Que tal não deixarmos nossa alma seca? É possível! Busque os recursos que tem a seu dispor. Deus está sempre aí para nos escutar e nos ajudar. Muitas vezes ele não "removerá" o problema, mas com certeza sempre estará ao nosso lado para nos ajudar a passar pelos vales mais sombrios. Ele sempre terá uma palavra para nós, uma pessoa para nos ajudar, um ouvido para nos ouvir, um abraço para nos achegar. 

Gedeon J. Lidório Jr
Bacharel em Teologia pela FTSA
Especialista em Missões Urbanas e Crescimento de Igreja pela FTSA (DMin)
Habilitado em Antropologia Cultural (Instituto Antropos)
Leciona disciplinas na área de Análise da Realidade e Teologia Prática
Pastor da Igreja Presbiteriana
Atual Coordenador de Educação à Distância da FTSA