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Se você perguntar a um cristão se a Bíblica é sua única regra de fé e prática, raramente encontrará quem diga que “não”. Porém, tal afirmação está mais próxima da “regra de fé” do que para a “regra de pratica”. Imagino que majoritariamente quando

se pensa em “prática” o que mais sobressai são os valores, caráter, princípios, atitudes, etc. Mas existe muita “regra de prática” sendo esquecida por aí, ou nem mesmo nunca praticada.

Tal é a situação em relação ao cuidado da criação. Parece que, para o cristão, a Bíblia começa em Gênesis 3, com o pecado e, como consequência, a tarefa nossa e da igreja é pregar para livrar as pessoas da escravidão do pecado e do inferno. Essa tem sido a prática da vasta maioria das igrejas, entendendo salvação como “salvação da alma”. E os relatórios eclesiásticos confirmam tal prática quando se pergunta: “Quantos membros?”, “Quantos foram salvos na campanha evangelística”, “Quantos batismos?”, “Quantos, quantos e quantos?” E desta forma, justifica-se o “sucesso” de uma igreja pelo seu tamanho. Se essa for a medida, 90-95% das igrejas evangélicas brasileiras são derrotadas, pois estas não passam de 200 membros.

A Bíblia não começa com a salvação, mas com a criação. A primeira missão da humanidade é a de cuidar da criação. Assim a Palavra de Deus diz:

Começa assim: “No princípio, Deus criou os céus e a terra” (Gn 1:1).

Termina assim: “vi um novo céu e uma nova terra” (Ap 21:1).

As igrejas estão longe de entender esse começo e esse fim para serem instrumentos de Deus para o cuidado da criação. Longe! E por que se isso é tão claro e evidente na Bíblia. Cris Wright responde: “Entretanto, uma Bíblia desprovida de seu começo e fim produz um conceito de missão igualmente distorcido. E ele arremata que isso é devido a nossa preocupação de “salvar pessoas do pecado e do juízo”.

Nem de perto eu teria a coragem de afirmar a não necessidade da salvação e do arrependimento para a vida eterna. Mas tenho toda coragem, à luz do todo da Palavra de Deus, que isso não é todo da missão de Deus. PENSE: - Como pode todas as coisas terem sido criadas nele, Jesus, assim como também em Jesus fosse reconciliado TODAS AS COISAS, tanto as que estão na terra como as que estão no céu (Cl 1:15-23) sem que isso não nos importasse?

Essa “regra de fé” (“nele foram criadas todas as coisas”) sem essa “regra de prática” (“reconciliasse consigo mesmo todas as coisas”) simplesmente não fecha! São muitos os cristãos que não se importam com o cuidado do mundo, mas que amam os frutos do mundo.
Cristo, para nos oferecer a vida eterna, veio até nós como o primogênito de toda a criação e nele somos muito mais que uma nova criatura, mas sim uma “nova criação”, uma nova humanidade que continua tendo a missão de cuidar da criação.

O cristão que não vive essa “regra de prática” – cuidar da criação de Deus – no aqui e agora, poderia marcar seu voo para a Nova Jerusalém, com jatinho particular, na hora que quiser, e lá desembarcar. Aqui, na terra de Deus, é apenas para os cristãos querem fazer a vontade de Deus, assim na terra como no céu. Aqui, na terra de Deus, é para “que os filhos de Deus sejam revelados” porque a natureza “foi submetida à futilidade, não pela sua própria escolha, mas por causa da vontade daquele que a sujeitou, na esperança de que a própria natureza criada será libertada da escravidão da decadência em que se encontra para a gloriosa liberdade dos filhos de Deus” (Rm 8:19-21). Não é apenas o ser humano que precisa ser liberto da “escravidão da decadência”, mas também toda a criação de Deus.

Se te ajuda a fazer algo, reflita:

- De que modo você está comprometido/a com a missão de cuidar da criação?
- Caso não existe nada em sua igreja sobre o cuidado da criação, que tal você começar um grupo para isso?

- Poderia começar (com muitos outros cristãos e igrejas) com a adoção de uma causa para o cuidado da natureza, como: cuidado das fontes de água, reciclagem de lixo, restauração de praças, etc

- Protestos conscientizadores: imagine você, e claro que com mais pessoas, começar uma página no facebook específica para protesto contra o maltrato com a natureza. Ali postariam fotos, vídeos, depoimentos, e dependendo do “barulho” que isso pode causar na sociedade, chamar a atenção dos setores públicos para que algo seja feio. Parece que no Brasil as coisas só andam debaixo de pressão.

- Por meio de música, teatro, peças fazer apresentações em lugares públicos, onde as pessoas estão, e chamar a atenção das pessoas para as realidades da cidade em relação a natureza.

Apenas comece... lance a semente! 

Jorge Henrique Barro
Doutor em Teologia pelo Fuller Theological Seminary (EUA)
Professor e Responsável pelo Departamento de Desenvolvimento Institucional (DDI) da Faculdade Teológica Sul Americana
Avaliador do MEC para Teologia