O professor Jonathan Menezes, coordenador da Graduação Presencial da FTSA – Faculdade Teológica Sul Americana, concluiu seu doutorado em História, pela Universidade Estadual Paulista (UNESP), com uma experiência marcante na Europa, defendendo a tese: FRANK ANKERSMIT: A METAMORFOSE DO HISTORICISMO. Passou quatro meses e meio na Eslováquia, realizando parte da pesquisa na Catholic University in Ruzumberok, sob orientação do prof. Dr. Eugen Zelenak, um estudioso de filosofia da história e também pesquisador da obra de Frank Ankersmit.

Segundo ele, uma grata oportunidade. “Conheci Dr. Zelenak em 2016, numa conferência internacional realizada em Ouro Preto (MG), e de pronto ele aceitou me apoiar na pesquisa e receber-me em sua universidade. Para tanto, recebi suporte financeiro da CAPES (uma agência de fomento à pesquisa do governo federal) e também da FTSA, instituições às quais sou profundamente grato”, explica.

Durante o período de pesquisa e produção, o professor alugou um apartamento próximo à universidade na pequena cidade de Ruzomberok. “Isso me possibilitou ir e vir a pé e com muita facilidade. É uma cidade cercada pela natureza, oferecendo uma atmosfera favorável a uma vida e produção com maior qualidade e tranquilidade, não apenas para mim, mas também para minha esposa e meu filho, que me acompanharam nesta jornada”, conta.

Banca doutoradoO professor também nos contou sobre a integração com outros pesquisadores e como a estrutura da universidade contribuiu para o desenvolvimento de seu projeto. “Encontrei um ambiente de trabalho favorável ao desenvolvimento intelectual e interpessoal; recebi um escritório apenas para mim, com mesa, computador e impressora, além de acesso irrestrito à biblioteca e a seu material de empréstimo e consulta. A biblioteca da universidade é uma das mais bonitas, tecnológicas e bem equipadas que já vi. Apesar de a maioria dos livros estarem em eslovaco (língua local), existe uma quantidade suficiente de livros e periódicos de minha área em inglês”.

Além disso, Jonathan participou de conferências, na universidade local e na Charles University, em Praga na República Tcheca. Também foi convidado a dar duas palestras: uma para professores e doutorandos do departamento de filosofia da Catholic University, e outra para estudantes de filosofia da Faculdade de Banská Bystrica.

Para compreender melhor sua pesquisa, Jonathan explica resumidamente como escolheu o tema e como chegou às conclusões finais da tese, confira:

Frank Ankersmit ainda é relativamente pouco conhecido no Brasil, mas na Holanda (seu país), em toda Europa, e principalmente nos Estados Unidos, ele é uma sumidade na área de teoria e filosofia da história. “Chegou” no Brasil através da, e graças à, repercussão de seus escritos pós-modernistas da década de 80, traduzidos e publicados na revista Topoi em 2001. Esses escritos provocaram meu interesse em sua obra e o desejo de investigá-la um pouco mais. Na medida em que fui também traduzindo, diversificando e aprofundando leituras, percebi que o pós-modernismo foi apenas um capítulo de sua jornada, e que uma história intelectual de Ankersmit deveria ir além, ampliar seu escopo.

A tese se propõe a dar esse passo além, a ler Ankersmit também a partir de outros embates, giros temáticos e conceitos por ele apresentados, desde a publicação de sua primeira obra em inglês, Narrative Logic (1983), até escritos mais recentes, em especial, Meaning, Truth and Reference in Historical Representation (2012). No interregno dessa pesquisa, outros “Ankersmites” emergiram, diferentes versões dele mesmo e de sua obra, precipitadas por algumas transições: do narrativismo para o representacionalismo; do pós-modernismo a um tipo de pós-pós-modernismo; do idealismo ao realismo histórico; movendo-se da linguagem para a experiência sublime, mas sem perder de vista o solo da representação; pensando a representação tanto no campo da política quanto no da historiografia. E, por fim, tentando variar o máximo e repetir o mínimo do que ele e outros disseram anteriormente sobre os mais variados assuntos, enredado pelo anseio por originalidade, autenticidade e distinção, e por uma paixão pela escrita da história “como ela é”.

Desse modo, decidi olhar para esse autor e sua obra desde a perspectiva da metamorfose. Parto da compreensão de que a tradição historicista alemã é um elemento comum, um cantus firmus, que permeia sua obra toda, e que se nota pelo desejo de Ankersmit por encontrá-lo em lugares onde ele normalmente não é visto; de traduzi-lo para diferentes idiomas, como o da filosofia da linguagem contemporânea; de fazer combinações improváveis, e, assim, de reabilitá-lo do aparente ostracismo em que foi posto na teoria da história e na historiografia. Contudo, esta investigação pretende demonstrar que, pelas características de Ankersmit – esse teórico mutante, esse “assaltante intelectual” (intelectual plunderer), como ele mesmo se chamou, sempre em movimento –, mais do que uma tradução ou recuperação, o que sua obra prefigura é uma metamorfose do historicismo. Dos paradoxos que a permeiam, talvez esse seja o maior, tornando a tarefa de estudá-la uma atividade tanto complexa quando fascinante. Ao menos para este pesquisador.”

Leia mais sobre a tese de doutorado no repositório da UNESP>>

Jonathan Menezes é Coordenador da Graduação Presencial na FTSA; Doutor em História pela UNESP; Mestre em História Social pela Universidade Estadual de Londrina; Professor de disciplinas na área de Análise da Realidade; Pastor da Igreja Presbiteriana do Brasil.