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Na linguagem da tradição litúrgica, é tempo do advento. Um evento que vem. Uma aproximação. Um nascimento. Estas palavras falam de inícios, de pontos de partida, de começos. Mas nós costumamos pensar no ponto de chegada,no final da estória (pois “no fim tudo vai ficar bem”). Hollywood e seu “final feliz” nos afetam muito mais do que imaginamos.

Natal é início. É celebração de um começo, não de um fim. De uma vida a construir, e não de uma vida já realizada. De uma história que precisa ser escrita por nós a cada dia. Assim foi o nascimento de Jesus: o início de uma nova história, de uma história radicalmente nova, tão radicalmente nova que até parece que nada mudou

Jesus nasceu e o Império Romano continuou dominando o mundo. Israel continuou subjugado, empobrecido, escravizado. A Galiléia continuou Galiléia, abandonada, desprezada, vítima de preconceito. Aparentemente, “tudo como dantes no quartel de Abrantes”. Nada mais distante da verdade!

Tudo mudou. O Natal mudou tudo. Mudou tudo porque abriu as portas para que você mude, para que eu mude, para que todas as pessoas mudem. Natal é transformação: advento de uma nova forma de viver: não mais conformados com o jeito deste mundo, mas metamorfoseados no jeito de Jesus (cf. Rm 12,1-2).

Natal é advento da novidade radical. Natal não acontece no dia 25 de dezembro. Natal acontece todo dia, pois diariamente Deus ‘faz novas todas as coisas’ (ou seja, nos faz novos o tempo todo). Isto não quer dizer que devamos abandonar a data festiva. Apenas quer dizer que a data festiva celebra a graça cotidiana de Deus na vida de sua criação.

Natal: celebração da memória – relembrar tudo o que nos aconteceu, tudo o que fizemos, tudo que acontece na vida: e colocar todas essas coisas sob a luz divina que ilumina todo ser humano, a luz da Palavra.

Natal: celebração da esperança – imaginar tudo o que de novo podemos ser e fazer na força do Espírito. Podemos ser fieis, podemos ser amorosos, podemos servir a Deus, podemos amar ao próximo...

Natal: celebração de nosso advento – de nossa chegada ao novo radical de Deus por nós, para nós, em nós e através de nós. Celebração da aproximação de Jesus em nossa vida. Jesus é, sempre e em todo tempo, natal em nós. Renascer todos os dias. Desafio diário.

Por isso, celebrar é bom. Festejar é importante. Memória e esperança. Natal de Jesus que se repete a cada dia, a cada momento. Advento, sempre é tempo de advento!

Julio Paulo Tavares Zabatiero
Doutor em Teologia
Professor nas áreas de Bíblia e Teologia Pública
Pastor da Igreja Presbiteriana Independente do Brasil