Felizes para sempre – casar faz bem para a saúde

A construção da memória da família
16 de abril de 2013

Felizes para sempre – casar faz bem para a saúde

Pesquisa realizada pela Escola de Medicina da Universidade de Cardiff, no País de Gales, descobriu que casados têm mais saúde do que os solteiros ou divorciados. O estudo avaliou mais de 1 milhão em sete países europeus. Os casados, segundo os pesquisadores, vivem cerca de 10% a 15% a mais do que os que vivem sozinhos. Morar juntos, porém, não parece ser tão bom para a saúde quanto casar – “oficialmente”. Ainda afirmam que o estresse pode aumentar o risco de diversos problemas e multiplicar as chances de separação do casal após o casamento. Filhos também não trazem tanta harmonia. Se o casal não tiver maturidade emocional, a chegada do bebê pode até trazer desequilíbrio para o relacionamento. A terapeuta familiar Iara Monteiro de Castro, em entrevista à Folha de Londrina, afirma que, principalmente para o homem, o casamento é muito positivo, pois o ajuda a se estruturar. Já para a mulher, pode ser uma fonte de estresse. “A mulher fica responsável pelo supermercado, levar os filhos na escola, buscar outras atividades para os filhos, e também trabalhar fora” (FOLHA DE LONDRINA, 2010, p. 3).

Em consonância com o acatado, um estudo, feito pelo Centro de Controle de Doenças dos Estados Unidos, mostrou que o casamento aumenta a expectativa de vida em até cinco anos. Tratamentos bem-sucedidos contra o câncer são mais frequentes entre casados. Já pessoas não casadas são hospitalizadas duas vezes mais do que as casadas. A diferença também ocorre no estilo de vida: ¨70% dos etilistas crônicos não são casados¨. Pesquisadores da Universidade da Califórnia fizeram um estudo sobre estresse e casamento, dosando os níveis de cortisol, hormônio que responde ao estresse no corpo humano, e verificaram que as mulheres felizes no casamento, ao voltarem para casa, tinham redução do nível de cortisol maior, comparadas às mulheres menos satisfeitas (curiosamente, no caso dos homens, o cortisol baixava sempre que eles voltavam ao lar, independentemente da avaliação que faziam do casamento). Não se pode perder de vista também que, muitas vezes, a solteirice induz a hábitos pouco saudáveis como: má alimentação, vida noturna, bebidas, entre outros.

A revista Veja (2011) de domingo, 22 de maio, traz uma capa especial para os apaixonados. A reportagem “Casar faz bem” mostra que, hoje, considerando que a preocupação com a carreira ocupa tanto tempo, casar ainda está na moda. Resta perguntar por que as pessoas casadas têm mais saúde? E uma possível resposta pode ser por causa da intimidade. O ser humano é gerado no útero materno. Nasce e começa a vivenciar uma intimidade com a mãe, com o seio materno, com o colo, e isso é extremamente importante para a formação da psiquê de um indivíduo. No casamento, o ser humano vai viver de novo uma intimidade semelhante, que é esse aconchego, a sexualidade, o segurar a mão, abraçar, beijar. Tudo isso é muito importante, pois o homem precisa ter intimidade com outro ser humano. E no casamento isso então é possível. O casamento é a relação mais íntima que um ser vive depois do relacionamento mãe-bebê. Isso nos casamentos saudáveis. Se o casamento não é saudável, a pesquisa se perde, porque, na verdade, o estresse é um dos fatores que levam a adoecer. Se o casamento não é saudável, se o casal não vive essa intimidade, fica mais vulnerável e suscetível a doenças.

Outro ponto importante a ser citado é que os homens adotam comportamento diferente depois que constituem família. Alguns autores dizem que a maioria se sente muito confortável, seguro no casamento, por isso que, depois de separados, se casam com rapidez. Um viúvo, por mais que tenha vivido com sua esposa por 50 anos e tenham formado um casal feliz, depois de um tempo volta a se casar, porque o casamento estrutura a sua vida. O amor tem consequências para a saúde e para o bem-estar. Ter autoestima elevada, confiança, estar preparado física e psiquicamente para correr riscos, tornar-se uma pessoa cada vez mais receptiva para o mundo e seus desafios é estar de bem consigo mesmo. O amor pode algumas vezes ser estressante. Entretanto possui um potencial forte e global para a redução do próprio estresse. O sexo e a reprodução são apenas um aspecto do amor. O sexo, a reprodução, o convívio em comunidade, a interação social, indicam benefícios adicionais. Pesquisadores da La Trobe University, na Austrália, têm observado que homens casados vivem mais do que os não casados (solteiros ou divorciados). Os homens são menos resistentes – em todos os aspectos: físico, emocional e financeiro – e os que não se casam são mais propensos a ser infelizes e tendem a viver menos.

Para a mulher o casamento gera mais estresse do que para o homem, pois ela tem mais obrigações, principalmente porque acumula funções de dona de casa, mãe e profissional. Como a chegada dos filhos é um momento que mexe muito com a vida do casal, há um período ideal principalmente para a chegada do primeiro bebê. Um filho pode bagunçar a relação se o casal não está de alguma forma preparado. Os casais deveriam se preparar para ter o primeiro filho porque o nível de estresse que uma criança traz é grande. A rotina muda e a demanda que a criança traz é grande para ambos, principalmente para a mãe. O melhor momento seria quando esse casal estivesse amadurecido e a tivesse planejado. Vai ocorrer o estresse, mas será mais fácil administrar do que se essa criança vier sem nenhum planejamento.

Muitos casais optam por não ter filhos. A pergunta é se a sociedade enxerga isso hoje de forma mais tranquila ou ainda há preconceito? Na Europa há até movimentos de casais sem filhos, mas a terapeuta familiar, Iara Monteiro de Castro, vê que a sociedade ainda não recebe muito bem. Há uma cobrança para que o casal tenha filhos. Mas alguns casais fazem essa opção e vivem bem. A única coisa que precisam saber é que, na velhice, a vida deles vai ser diferente. Não vão ter netos. Eles precisam construir outras redes, se dedicar a alguma causa social e com isso o impacto será menor. O casal sem filhos tem muito mais liberdade de viagem, de trabalho. Ter ou não ter e quando ter filhos é uma questão delicada.

Psicologicamente, há diferença entre casar e morar junto. A relação do casal é a mais frágil que tem porque é uma relação de escolha. O casal que fez um contrato sente-se mais tranquilo, mas, na verdade, não é bem assim. A relação é frágil, precisa ser cuidada diariamente, porque o contrato é passível de distrato. É sempre muito estressante passar por uma separação, principalmente quando se tem filhos. Em alguns relacionamentos, um fica mais vulnerável porque o outro dá sinais de que não está muito comprometido. E o compromisso é fundamental. Tendo um contrato no cartório ou não, o compromisso é essencial. A fidelidade, a lealdade, é um vínculo que precisa ser renovado, que tem que ser construído em cima de confiança e aí ambos ficam mais tranquilos. Não pode haver competição. O casamento só deveria acontecer entre duas pessoas muito amigas.

Muitos jovens decidem ir morar juntos quando a relação parece tomar ares de casamento, mas alguns cometem erros terríveis a tomar essas decisões, como é o caso dos casais que ficam indecisos entre casar ou morar junto. Um casamento significa mais que duas alianças, significa trabalhar para manter um lar, ter respeito com o parceiro e, acima de tudo, ser fiel, mas quando vai apenas morar junto, muitos casais sabem que não precisa ser assim. Então quando tiver esse tipo de dúvida, é importante avaliar a situação: é hora de morar junto, ou é hora de casar.

IARA MONTEIRO DE CASTRO – Especialista em Terapia de Casal e Família no Chicago Center for Family Health – Universidade de Chicago. Formação em Supervisão Clínica em Terapia de Casal e Família no CCFH. Especialista em Psicologia Hospitalar – USP e CCFH. Coordenadora Geral do Instituto da Família – FTSA. Psicóloga. CRP 08/02255. Londrina, PR.

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