Mestre em Teologia pela FTSA, Tiago Borges Amâncio, pesquisou e publicou sobre um dos temas mais urgentes para a igreja contemporânea: a questão da violência contra a mulher. Sua abordagem, porém, joga luz para dentro dos ambientes sagrados, onde as mulheres muitas vezes também são vítimas de comportamentos culturais misóginos.
A ideia do seu livro “Cuidado & Proteção: Aconselhamento Pastoral ante a Violência contra a Mulher” (Editora Saber Criativo) nasceu de inquietações pessoais e pastorais. Aos 28 anos, natural de Taubaté (SP) e sargento do Exército – onde atua como mecânico de aviônicos em helicópteros militares – Tiago também exerce o pastoreio em uma igreja pós-denominacional. Sua vivência múltipla, entre o ambiente militar, o serviço eclesial e a formação acadêmica, moldou a sensibilidade com que ele aborda a temática.
Da inquietação à pesquisa: quando um clipe virou ponto de partida
A motivação para mergulhar no tema surgiu após a repercussão nacional do videoclipe de uma cantora gospel, em que uma mulher vítima de violência via sua história mudar enquanto orava pela conversão do marido. A polêmica levou a gravadora a modificar o desfecho, e acendeu em Tiago uma pergunta profunda sobre sua responsabilidade como cristão. “Enquanto todo o público tinha uma opinião formada, eu nada sabia sobre o assunto. Lembro-me de refletir: ‘o que devo pensar e como agir?’”, conta.
A partir daí, pesquisas, leituras e análises rigorosas o levaram a compreender o peso histórico, teológico e sociocultural da violência contra a mulher no ambiente religioso. Em seu estudo acadêmico, Tiago analisa como a rivalidade entre homens e mulheres, somada ao uso de violência legitimada por discursos religiosos, estruturou ações e comportamentos impróprios. “Percebi que o aconselhamento pastoral, muitas vezes inconscientemente, propaga orientações opressivas. São pessoas sem conhecimento da causa e contexto que apenas pinçam algumas orientações que não capacitam a mudança do quadro. Conselheiros que acompanham casos de violência precisam se aprofundar no campo gravitacional histórico e sociocultural que circunda o tema para, então, conseguir a mudança esperada”, argumenta o autor.
Um livro para formar consciência e equipar a igreja
O livro nasce com um propósito pastoral e transformador: oferecer conhecimento à igreja, apoiar mulheres e incentivar homens a se posicionarem contra a violência. “Violência doméstica precisa ser uma das pautas das igrejas. É uma grande oportunidade de mostrar à sociedade o que é ser luz do mundo”, defende o autor. E ressalta o papel essencial da igreja: conscientizar sobre a natureza pecaminosa e criminosa da violência doméstica; acolher e tratar mulheres vítimas e treinar voluntários sensíveis e capacitados para o aconselhamento.
A obra provoca líderes a encararem a urgência do tema e se torna um convite para que comunidades cristãs sejam lugares seguros, de restauração e dignidade, especialmente para as mulheres.
Para o pastor, militar e agora mestre em teologia, o mestrado na FTSA forneceu fundamentação para a pesquisa, amadureceu sua visão e aprofundou sua vocação acadêmica e pastoral. “Costumo dizer que antes do mestrado conhecia as obras dos autores que lia, mas, no mestrado, conheci os autores das obras. Isso foi de grande valia”
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