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Do vazio à esperança. A espiritualidade como fonte de prevenção ao suicídio

#setembroamarelo

A espiritualidade, quando acolhida de forma verdadeira, pode ser como uma mão estendida em meio ao abismo.

Falar sobre suicídio nunca é fácil, mas é necessário. Segundo a Organização Mundial da Saúde (2014), a cada 40 segundos alguém tira a própria vida em algum lugar do mundo. São quase um milhão de pessoas por ano. Atrás de cada número existe uma história interrompida, uma dor profunda e também muitos corações que ficam em luto e em silêncio.

A condição degenerada que se liga ao auto-aniquilamento não é gerada por uma disfunção somente biológica ou psíquica, é resultado do vazio existencial, da falta de sentido de vida. Esta é uma condição insuportável para o indivíduo, tendo como culminância o suicídio.

O filósofo Schopenhauer refletia que o suicídio não é a negação da vida em si, mas do modo como a vida está sendo vivida (Schopenhauer, 2010). O problema é que, ao tentar destruir o corpo, a pessoa não consegue calar o desejo profundo de viver. É uma contradição dolorosa, que revela como a alma clama por algo maior do que simplesmente existir.

O suicídio não é apenas o fim de uma vida, mas um grito de desespero contra um sofrimento que se tornou insuportável. E, mesmo quando alguém parte, os que ficam carregam perguntas, dores e marcas que permanecem.

Mas, o que leva alguém a chegar nesse limite? Muitos estudiosos apontam que a perda de sentido na vida é um dos fatores principais. Quando não há propósito, tudo parece se esvaziar. Viktor Frankl, psiquiatra que sobreviveu aos campos de concentração nazistas, escreveu que “sentido não pode ser dado, mas precisa ser encontrado. O sentido da vida não pode ser inventado, ele precisa ser descoberto”. (FRANKL, 2016, p. 66). Para ele, é justamente a busca de um sentido que permite ao ser humano resistir até mesmo às piores circunstâncias.

Tenho refletido muito sobre a importância da espiritualidade para a saúde mental. Não falo apenas de religião, mas de uma dimensão mais profunda, a busca por respostas, pela conexão com algo maior, com o sagrado. A espiritualidade pode oferecer ao coração ferido uma espécie de chão, um lugar onde a vida se reconstrói mesmo em meio às ruínas.

Na clínica psicológica, muitas vezes vi nos olhos de pacientes aquele vazio que parece consumir tudo. A espiritualidade, quando acolhida de forma verdadeira, pode ser como uma mão estendida em meio ao abismo. Ela não anula a dor, mas lembra que a vida ainda pode carregar significado. Frankl (2019) nos ajuda a enxergar que a espiritualidade é esse lugar onde a vida pode reencontrar sentido. Ele dizia que Deus é parceiro dos nossos mais íntimos diálogos. Isso não significa que a espiritualidade elimine automaticamente o sofrimento, mas que nos oferece ferramentas para suportá-lo e atravessá-lo.

Os estudos atuais confirmam, espiritualidade pode ser um fator de proteção contra o suicídio. Não é a única resposta, e não substitui os cuidados médicos e terapêuticos, mas pode ser um recurso poderoso para quem está em crise. Ela funciona como um antídoto contra o vazio existencial, ajudando a alma a se levantar quando tudo parece desabar.

Por isso, se a sua alma se sente quebrada, não caminhe sozinho. Busque ajuda profissional, compartilhe sua dor com alguém de confiança. Desafio você a buscar o cuidado integral da alma, permita que a espiritualidade seja um espaço de encontro, escuta e renovação. A vida pode voltar a florescer quando encontramos sentido, mesmo em meio às sombras.

Referências:
– FRANKL, Viktor. Em busca de sentido: um psicólogo no campo de concentração. 48. ed. Petropólis: Vozes, 2019.
– FRANKL, Viktor. Sede de sentido. São Paulo: Editora Quadrante, 2016
– SCHOPENHAUER, A. (2005). O mundo como vontade e como representação (Jair Barboza, Trad.). São Paulo: Editora UNESP. p.504.
– World Health Organization. (2014). Preventing suicide: A global imperative. World Health Organization.

Escrito por Prof. Marlon Figueiredo, psicólogo e pastor da IPI do Brasil